Chegamos no Haiti dia 11 de setembro de 2010. Fomos recebidos por um calor de 40ºC e um tempo seco. Logo no aeroporto percebemos o que nos esperava, pois parte do mesmo estava condenada, por isso improvisaram em um hangar a área de imigração e entrada no país, todo desorganizado e confuso.
Saímos do aeroporto e já nos deparamos com a realidade do país; acampamentos na frente do aeroporto e por toda cidade, já que quase 2 milhões de habitantes estão sem casa, vivendo em barraca de iglu oferecida pelo exército.
Fomos ao exército brasileiro, que hoje é responsável pela segurança do país, eleito pela ONU desde 2004. Conversamos com o Coronel Walter Melo, que nos contou mais da realidade deles e as preocupações com os possíveis furacões e tornados, normais nessa época do ano, com as eleições e com a fome.
Foi chocante ver a falta de esperança nos olhos das pessoas nas ruas; elas perderam a identidade, o amor próprio, a ingenuidade e o pudor, vimos muitas pessoas tomando banhos nas ruas com apenas um balde de água e totalmente nuas. O que mais chocou foi ver que a nossa presença não fazia diferença, eles perderam o eu.
No caminho para a casa do pastor local, que nos hospedou, pudemos ver o que aquele terremoto causou no país; ruas cheias de entulhos, pois o governo não retirou os escombros, apenas colocou nas calçadas, e as casas que foram destruídas também não foram demolidas. Também vimos muita sujeira e condições lamentáveis para a sobrevivência.
Nos alojamos na casa do pastor Vijonet, um pastor local. Dormimos em colchonetes na varanda. Por termos levado dinheiro, comemos todos os dias e tomamos banhos todos os dias, mas essa não é a realidade deles, pois a maioria come apenas uma refeição por dia, oferecidas em doações que o exército fornece, e a água é muito cara, por isso eles também não tem água para banho e nem para beber.
Apenas 5% da população trabalha, vimos muita gente vendendo coisas nas calçadas, entendemos que são doações que eles estão vendendo para comprar comida.
Graças a vocês levamos muitos remédios, roupas, sapatos, brinquedos e muito amor. Nos dividimos em equipes. Uma equipe fez a clínica e tínhamos 2 enfermeiras, o que ajudou para distribuir os medicamentos; muitos estavam com sarna e as crianças desnutridas. Outra parte do grupo se encarregou de distribuir um muda de roupa, um brinquedo e um sapato para cada criança; quando alcançamos mais de 200 crianças. Outra equipe fez recreação com as crianças, vestidas de palhaços, contando história e bichinho de balão. Conseguimos muitos sorrisos e abraços, mas o que foi mais gratificante foi ver o brilho nos olhos deles.
Apesar da realidade difícil, eles são um povo hospitaleiro, gentil, festeiro e apaixonados por brasileiros. Onde passávamos com nossas pulseiras verde e amarelas éramos bem recebidos e eles pediam em todo tempo nossas pulseiras.
A igreja que ficamos tem trabalho com órfãos às terças e às quintas, oferecendo estudo bíblico, músicas,brincadeiras e lanche, sendo que aos sábados fazem o mesmo com as crianças da comunidade. Alguns brasileiros continuam lá e estão dando aula de português, o que os deixa bem empolgados.
Com certeza foi uma experiência linda, marcante e muito especial, me tornando mais humana, pois infinitas vezes reclamamos de nossas vidas perfeitas, fartas de comida e conforto e queremos cada vez mais consumir e realizar nossas vontades sem nos preocuparmos com os outros.
Pretendo voltar ao Haiti em janeiro, pois meu coração ficou naquela nação. Não tem uma refeição que eu faça que eu não lembre deles, assim como cada vez que deito lembro que a maioria não tem colchão para deitar.
Agradeço do fundo do meu coração pela ajuda. Sei que Deus está agradecido pelo amor que vocês tiveram ao doar. Que Deus continue abençoando. Sempre é possível ajudar alguém.
Lívia Natale
Saímos do aeroporto e já nos deparamos com a realidade do país; acampamentos na frente do aeroporto e por toda cidade, já que quase 2 milhões de habitantes estão sem casa, vivendo em barraca de iglu oferecida pelo exército.
Fomos ao exército brasileiro, que hoje é responsável pela segurança do país, eleito pela ONU desde 2004. Conversamos com o Coronel Walter Melo, que nos contou mais da realidade deles e as preocupações com os possíveis furacões e tornados, normais nessa época do ano, com as eleições e com a fome.
Foi chocante ver a falta de esperança nos olhos das pessoas nas ruas; elas perderam a identidade, o amor próprio, a ingenuidade e o pudor, vimos muitas pessoas tomando banhos nas ruas com apenas um balde de água e totalmente nuas. O que mais chocou foi ver que a nossa presença não fazia diferença, eles perderam o eu.
No caminho para a casa do pastor local, que nos hospedou, pudemos ver o que aquele terremoto causou no país; ruas cheias de entulhos, pois o governo não retirou os escombros, apenas colocou nas calçadas, e as casas que foram destruídas também não foram demolidas. Também vimos muita sujeira e condições lamentáveis para a sobrevivência.
Nos alojamos na casa do pastor Vijonet, um pastor local. Dormimos em colchonetes na varanda. Por termos levado dinheiro, comemos todos os dias e tomamos banhos todos os dias, mas essa não é a realidade deles, pois a maioria come apenas uma refeição por dia, oferecidas em doações que o exército fornece, e a água é muito cara, por isso eles também não tem água para banho e nem para beber.
Apenas 5% da população trabalha, vimos muita gente vendendo coisas nas calçadas, entendemos que são doações que eles estão vendendo para comprar comida.
Graças a vocês levamos muitos remédios, roupas, sapatos, brinquedos e muito amor. Nos dividimos em equipes. Uma equipe fez a clínica e tínhamos 2 enfermeiras, o que ajudou para distribuir os medicamentos; muitos estavam com sarna e as crianças desnutridas. Outra parte do grupo se encarregou de distribuir um muda de roupa, um brinquedo e um sapato para cada criança; quando alcançamos mais de 200 crianças. Outra equipe fez recreação com as crianças, vestidas de palhaços, contando história e bichinho de balão. Conseguimos muitos sorrisos e abraços, mas o que foi mais gratificante foi ver o brilho nos olhos deles.
Apesar da realidade difícil, eles são um povo hospitaleiro, gentil, festeiro e apaixonados por brasileiros. Onde passávamos com nossas pulseiras verde e amarelas éramos bem recebidos e eles pediam em todo tempo nossas pulseiras.
A igreja que ficamos tem trabalho com órfãos às terças e às quintas, oferecendo estudo bíblico, músicas,brincadeiras e lanche, sendo que aos sábados fazem o mesmo com as crianças da comunidade. Alguns brasileiros continuam lá e estão dando aula de português, o que os deixa bem empolgados.
Com certeza foi uma experiência linda, marcante e muito especial, me tornando mais humana, pois infinitas vezes reclamamos de nossas vidas perfeitas, fartas de comida e conforto e queremos cada vez mais consumir e realizar nossas vontades sem nos preocuparmos com os outros.
Pretendo voltar ao Haiti em janeiro, pois meu coração ficou naquela nação. Não tem uma refeição que eu faça que eu não lembre deles, assim como cada vez que deito lembro que a maioria não tem colchão para deitar.
Agradeço do fundo do meu coração pela ajuda. Sei que Deus está agradecido pelo amor que vocês tiveram ao doar. Que Deus continue abençoando. Sempre é possível ajudar alguém.
Lívia Natale
5 comentários:
Poxa Livia...
E bom ler todas essas coisas, saber o quanto Deus tem lhe acrescentado na caminhada cristã e o principal de tudo isso, tu não tem guardado somente pra ti, mais sim repartindo com os que mais precisam da prova manifesta do amor de Jesus atraves de nossas vidas...
Te admiro, amo tua vida e te insentivo a ir mais longe a voaarrr mais alto em sua caminhada com Deus...
Bjs...
Que Deus te guarde abençoe...e tu possa sempre esta conectada com ceus!
Fico feliz por saber que há pessoas que ainda se importam com as outras e que a história do Haiti está sendo reescrita com letras de amor. também fico feliz por saber que você está amadurecendo. Deus te abençoe minha cara.
Ler o seu post me fez chorar! Estou contente pela sua experiencia, sei o quão bom foi vc ter vivido isso e sentido o que eles passam. Mas é bem comovente saber de tantas situações e ainda ficamos reclamando de tudo que temos com tanta facilidade, que Deus tenha misericórdia principalmente de mim. Aprendi a amar vc e Deus sabe o que faz, conte comigo, foi bom dar uma passadinha aki pra ler seu posti.
Beijos
Oie Prima!!
Creio que todos nós deveriamos ter uma experiencia parecida com esta. Principalmente para darmos mais valor à nossa vida, àquilo que muitas vezes olhamos com desprezo e ingratidão, mas creio tb que podemos aprender muito com a sua experiencia e o seu testemunho.
Vou continuar orando por esta nação e tenho a certeza que Deus irá mudar a história do Haiti e vai fazer isso através de pessoas como VOCÊ, sensíveis ao chamado do Pai e PRONTAS para cumprir a Sua vontade!
Nós que agradecemos à você por ter ouvido e obedecido a vontade Dele...tenha a certeza de que o Haiti já não é mais o mesmo depois que você pisou lá!
TE AMO MUITO!!
Bjoo
Coquinho... por livre e espontanea vontade resolvi deixar um comentario pra ti...
Saiba que a sua vida é um testemunho vivo do poder de Deus... quem diria que aquela menina fresquinha, consumista iria se tornar essa missionaria disposta a largar tudo pra demonstrar para as pessoas o amor do nosso Deus...
Glorifico a Deus pela mudança que Ele fez na sua vida (não só na sua né) e que Ele complete a obra que começou...
Tenho certeza que essa ida ao Haiti foi só uma prévia do que Ele tem reservado para você... que seu relacionamento com Deus possa ser cada dia mais intimo e mais intenso...
Te Amo...
Deus Abençoe
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